E se o SO mais usado fosse o Linux?

23 de setembro de 2009

Recebi por e-mail:

Eu compreendo o indivíduo que declarou ter problemas em passar do Windows
para o Linux.

Senti o mesmo ao experimentar o Windows. Decidi experimenta-lo, depois de
alguns amigos que o usam a toda a hora me dizerem que era ótimo.

Fui até ao site da Microsoft para baixa-lo mas não estava lá disponível.
Fiquei frustrado porque não consegui descobrir como se baixava o mesmo. Por
fim tive que perguntar a um amigo e ele disse-me que tinha de o comprar.

Fui até o carro, fui até à Staples e pedi a um dos vendedores uma cópia do
Windows. Ele perguntou-me qual, eu disse-lhe: “Quero a mais completa, por
favor” e ele respondeu: “São 599 R$, por favor…”. Soltei um palavrão e
voltei para casa de mãos abanando.

Um dos meus amigos deu-me uma cópia do Windows XP mas disse-me para não
dizer nada a ninguém. Achei estranho porque faço sempre cópias do Linux
para qualquer pessoa que me peça e digo sempre para passar essa cópia a
qualquer outra pessoa que esteja interessada, uma vez que já precisem dela.
De qualquer forma coloquei o CD no leitor e esperei que iniciasse o sistema
do “Live CD”. Não funcionou. A única coisa que fazia era perguntar-me se o
queria instalar. Telefonei para um dos meus amigos, para saber se estava a
fazer alguma asneira, mas ele disse-me: “O XP não roda o sistema
diretamente do CD”.

Decidi, então, instala-lo. Segui as instruções que apareciam na tela mas
comecei a ficar nervoso porque não perguntou nada sobre os outros sistemas
operacionais. Quando instalei o Linux, ele reconheceu que tinha outros
sistemas operacionais na máquina e perguntou-me se queria criar uma nova
partição e instalar o Linux lá. Voltei a ligar para o meu amigo e ele
disse-me que o Windows elimina qualquer outro sistema operacional que
encontra, ao instalar-se.

Fiz uma cópia de segurança das minhas coisas e joguei-me de cabeça na
instalação. A instalação foi bastante simples, tirando a parte em que tive
que escrever umas letras e um código. Tive de ligar outra vez para o meu
amigo mas ele ficou chateado e veio escrever ele próprio o código. Voltou a
dizer-me para não dizer nada a ninguém (!!!).Depois de reiniciar o
computador, dei corrida de olhos pelo sistema.

Fiquei chocado quando me deixou mudar as configurações do sistema sem pedir
o acesso de root. O meu amigo começou a ficar um bocado irritado quando
liguei outra vez para ele, mas acabou por aparecer em minha casa. Disse-me
que o acesso de root era dado logo na inicialização. Tratei logo de fazer
outra conta de usuário normal e passei a usa-la. Comecei a ficar confuso
quando tentei fazer mudanças e o sistema, ao invés de pedir acesso de root,
disse-me que tinha que fechar a sessão de utilizador normal e abrir uma
sessão como administrador. Comecei, então, a perceber porque é que tantas
pessoas entram sempre como root e tive um arrepio na espinha.

Bom, mas já era hora de trabalhar. Fui ao menu “Iniciar -> Programas”, para
abrir uma planilha que eu precisava terminar, mas não consegui encontrar a
aplicação de planilhas. O meu amigo disse-me que o Windows não trazia
nenhuma aplicação dessas e que eu teria que baixar da Internet. “Oh…”,
pensei, “uma distribuição básica”. Fui ao “Adicionar/Remover Programas” do
painel de controle (tal como no Linux), mas não havia lá programas para
adicionar. Apenas deixava remover os programas. Não consegui encontrar o
botão para adicionar aplicações. O meu amigo disse-me que eu tinha que
procurar as aplicações por minha conta. Depois de muita pesquisa no Google,
lá encontrei, descarreguei instalei o OpenOffice.org.

Para dizer a verdade, diverti-me à brava com o Windows. Não entendi muito
da terminologia… Porque é que há um drive A, depois um C… Onde é que está o
drive B? Achei a distribuição demasiado básica, não inclui nenhuma
aplicação que seja verdadeiramente de produtividade e torna-se muito
confuso procura-la. O meu amigo disse-me que eu precisava de software anti-
vírus e anti-spyware, mas o Windows não vinha com nada disso.Achei-o
difícil, confuso e demasiado trabalhoso para mim. Pode ser bom para uma
pessoa que seja do tipo técnico, como o meu amigo, mas eu fico-me pelo
Linux, obrigado.

SARNEY e EU

24 de agosto de 2009

Recebi por e-mail, critica interessante e, infelizmente, verdadeira…

Algumas semanas atrás recebi um email sobre uma manifestação na frente do
Congresso Nacional pedindo “Fora Sarney”, na hora fiquei bastante animado,
encaminhei o email para toda a minha lista de contatos e pensei que
finalmente as pessoas iriam se indignar e reagir à tanta sujeira.

No dia da manifestação me bateu uma preguiça… Após um longo dia de
trabalho o cansaço me venceu, e afinal, quem iria sentir a minha falta?

No dia seguinte eu procurei eufórico nos sites de jornalismo sobre a tão
falada manifestação que foi toda planejada em comunidades virtuais e
bastante divulgada pelo twitter. Para a minha surpresa não existia nenhuma
manchete, nem ao menos uma nota de rodapé . Resolvi entrar em uma das
comunidades do orkut que organizaram a manifestação, e para a surpresa de
todos, apenas cinqüenta pessoas se dispuseram a ir para a frente do
Congresso.

Apenas 50 pessoas? Sendo que eu sozinho divulguei para mais de 1000? Que
povo mais acomodado, pensei indignado, porque será que eles não foram??….

Não demorou muito para a ficha cair. Eles não foram pelo mesmo motivo que eu
não fui. Eu esperava que “alguém” iria no meu lugar.

Recostei-me na poltrona em frente à televisão e olhei para a janela do meu
apartamento, que refletia a minha imagem. Fiquei olhando para mim e para a
minha confortável inércia. Foi quando de súbito, eu tive a arrebatadora
visão daquilo que sempre procurei e nunca encontrei, o meu verdadeiro papel
na sociedade.

“Que bunda- mole!!!”.

Finalmente, depois de tantos anos de crise existencial, pude perceber que eu
era uma peça importante na sociedade, um legítimo Bunda-mole brasiliense (ou
BMB). Existem bunda-moles municipais e estaduais, mas eu tenho orgulho de
dizer que sou um bunda-mole federal!!

Nas minhas viagens de férias sempre algum engraçadinho vinha falar: “De
Brasília né….já tem conta na Suíça?”. Eu ficava indignado, falando que eu
era um funcionário público concursado, que pagava os meus impostos, enquanto
o povo que roubava vinha de fora e blá blá blá.

Mas agora eu vejo com nitidez que eu tenho um papel importante nesse
cenário. Eu como um legítimo BMB ajudei a criar esta barreira de proteção
que mantém os verdadeiros FDP livres para fazerem o que bem entenderem. Eu
acho que as coisas estão bem do jeito que estão. Tenho dinheiro todo mês
para pagar a prestação do meu carro 1.0 e do meu apartamento de dois
quartos, freqüento uma academia para queimar o meu excesso de ociosidade,
tenho meu smart phone comprado na feira do Paraguai, e no final do ano ainda
vou ficar um mês em uma casa de praia alugada junto com a minha família para
a incrível experiência de assarmos como batatas na areia… Mais BMB
impossível!!

Nas sextas-feiras, eu me sento com os meus amigos em um barzinho e depois do
terceiro copo de cerveja soltamos toda a nossa indignação contra a patifaria
que rola solta em Brasília, cada um conta um caso de um amigo próximo que
enriqueceu da noite para o dia às custas do dinheiro público (o difícil é
disfarçar aquela pontinha de admiração pelo “ixperto”).
Depois traçamos os
planos para endireitar o país. Planos que vão embora pelo ralo do mictório
antes de pagar a conta. BMB de carteirinha!!

Os anos passam e as conversas vão mudando: PC Farias, anões do orçamento,
precatórios, privatizações, dólar na cueca, mensalão, sanguessugas,
vampiros, Lulinha Gamecorp, Daniel Dantas, o dono do castelo, Petrobrás, e
agora a cereja do bolo, ele, o único, o inigualável Sarney!!

Sarney é como um ícone do atraso nacional (clientelismo, fisiologismo,
nepotismo, coronelismo, apropriação da máquina pública, desvio de verbas
públicas etc), mas o que seria do Sarney sem a legitimidade dos BMB´s? O que
seria da ilha da fantasia, dos cabides de emprego, dos lobistas, do QI (quem
indicou), dos cargos de confiança, dos funcionários fantasmas, dos atos
secretos sem a nossa apática presença? Imaginem se no nosso lugar estivessem
aqueles sul-coreanos malucos que iam para a rua protestar partindo pra cima
da polícia, ou aqueles jovens em Seattle que furavam um forte esquema de
segurança da OMC para protestarem contra a globalização.

O BMB precisa ter o seu papel reconhecido, somos nós que deixamos tudo
correr frouxo, somos nós que damos uma cara de democracia a este coronelismo
em que vivemos. O nosso poder aquisitivo acima da média nacional protege o
Congresso e os palácios da miséria e da violência que fervilham em nosso
entorno.

Bunda-moles!! Vamos exigir os nossos direitos!! Precisamos finalmente
mostrar a nossa cara. Nunca antes na história deste país o bundamolismo foi
tão grande. Seja ele de centro, de esquerda ou de direita. Bundamolismo no
movimento estudantil chapa-branca, nos sindicatos que só vão para a frente
do Congresso para pedir aumento e nos artistas que se acomodaram no conforto
dos patrocínios oficiais.

Vamos exigir que se crie em Brasília o museu do bundamolismo nacional na
esplanada dos ministérios, uma enorme bunda branca de concreto, que irá
combinar muito bem com a arquitetura de Niemeyer.

Assistimos de nossas poltronas o Brasil tomar o rumo da mediocridade, sem um
projeto à altura do seu papel de grande potência ambiental do planeta, que
pode liderar a nova economia limpa e inclusiva que irá gerar milhões de
empregos. Mas que faz o contrário, age como a eterna colônia de exportação
de matéria-primas, fazendo vista grossa para o colosso chinês que irá nos
engolir com a sua máquina movida à destruição ambiental e desrespeito aos
direitos humanos, para criar uma efêmera ilusão de prosperidade às custas de
nossa biodiversidade e da nossa água doce (estes sim os nossos bens mais
valiosos). Somos testemunhas do surgimento de uma geração despreparada,
tanto para a cooperação quanto para a competição, sem espírito empreendedor,
fadada à eterna submissão ao “salvador da pátria” de plantão.

Assistimos de nossos computadores, quando estamos fazendo cera no trabalho,
ao maior atentado à democracia desde o golpe de 64, mas desta vez o golpe
não está sendo feito com armas. Está sendo feita com a ridicularização das
instituições, com a banalização dos escândalos, com a desmoralização da
ética e com a idiotização do contribuinte.

A bundamolização é muito mais eficaz do que o autoritarismo, ela pode ser
eletrônica, através de novelas, videocassetadas, big brotheres e cultos
picaretas. Pode ser química, com cerveja, maconha ou anti-depressivos. E
também pode ser ideológica, com receitas milagrosas, e debates calorosos que
sempre desaparecem em um clicar de mouse. Vivemos em uma sociedade
anestesiada e chapada, sem rumo, imersa em ilusões baratas.

O bundamolismo nos une, não segrega ninguém, é a democracia verdadeira, que
brilha por debaixo de uma crosta de hipocrisia e ignorância. E como toda
ideologia que se preze, nós temos o nosso avatar, o nosso guru. Aquele que
nos traz para a realidade e mostra quem realmente somos, revela o nosso eu
profundo, a nossa essência. Obrigado Sarney, só você para tirar as minhas
dúvidas e me mostrar o mundo real por trás das ilusões.

Sarney, nós somos duas faces da mesma moeda. Somos Yin e Yang. Nós somos os
pilares deste país, um não existiria sem o outro. A sua cara de pau só
existe porque do outro lado está a minha babaquice.

Bunda-moles de todo o país uni-vos!! Vamos celebrar a nossa mediocridade,
vamos sair às ruas gritando: Viva Sarney!! Viva Collor!! Viva Maluf!! Viva
Roriz!! Viva Gim Argello!! Viva Renan Calheiros!! Viva Romero Jucá!! Viva o
presidente que não viu nada!! Viva a República das bananas do Brasil!!!

Mas isso é pedir demais para um bunda-mole, vou voltar para a minha poltrona
porque o Jornal Nacional já vai começar.

* Por Adelécio Freitas (um BMB legítimo).

Stargate Universe Trailer

20 de agosto de 2009

Trailer em alta qualidade da nova série da franquia Stargate…

IMDb Video: Stargate: Universe

Retornando aos poucos…

20 de agosto de 2009

Retornando aos poucos com o blog rodando experimentalmente num notebook velho em casa. Parece que o wordpress está instalado e funcionando com o database antigo;

Falta agora personalizar temas, configurar direito, etc.

ONGs totalmente desinteresadas.

11 de julho de 2008

Recebi por e-mail; não sei se é real mas acredito que seja…

Vítimas da seca Índios da Amazônia
Quantos? 10 milhões 230 mil
Sujeitos à fome? Sim Não
Passam sede? Sim Não
Subnutrição? Sim Não
ONG estrangeiras ajudando Nenhuma 350

Provável explicação:

A Amazônia tem: ouro, nióbio, petróleo, as maiores jazidas de manganês e ferro do mundo,
diamante, esmeraldas, rubis, cobre, zinco, prata, a maior biodiversidade do planeta (o que pode gerar grandes lucros aos laboratórios estrangeiros) e outras inúmeras riquezas que somam 14 trilhões de dólares.

BRT quer acabar com a ADSL residencial?

9 de junho de 2008

Recebi isso agora e não gostei! Eu que já acho um abuso ter que pagar provedor para só autenticar ADSL fiquei “P” da vida ao saber que a BRT agora quer limitar também meu direito de escolher o provedor que ela desejar.

Em respeito aos nossos clientes queremos comunicar, com antecedência, que na próxima semana poderemos ter problemas de autenticação com os clientes da Brasil-Telecom, devido a problemas judiciais com esta operadora. Estamos brigando judicialmente para poder oferecer o menor preço possível para nossos clientes e isso incomoda a Brasil-Telecom.

Em abril do ano passado a Brasiltelecom bloqueou nosso serviço e nossos clientes ficaram sem acesso por 3 dias, mas conseguimos reverter isso, com uma liminar no Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul que nos garantiu a continuidade do serviço.
Mesmo assim a Brasiltelecom vem tentando impedir a venda de nosso serviço pois vai contra os interesses dela.

Certamente continuaremos lutando, pois acreditamos que os usuários de internet ADSL tem o direito de pagar um valor justo pelo serviço que lhes é oferecido.

Não somos os únicos a lutar pelos direitos dos usuários. Outros provedores, órgãos federais importantes e responsáveis pela internet Brasileira não concordam com a atitude da Brasiltelecom e de outras empresas de telefonia.

Estamos tomando todas as medidas judiciais cabíveis e tentaremos resolver tal situação o mais breve possível.

Acreditando na sua compreensão, pedimos a gentileza de evitar e-mails, pois nosso suporte está sobrecarregado.

Queremos deixar claro que o nosso serviço está funcionando normalmente até o momento.

Mesmo assim se precisa falar conosco envie um e-mail para ouvidoria@adslresidencial.com.br.

Entre em contato agora com a Brasiltelecom, mostre sua indignação e nos ajude a manter o serviço barato e justo.


O telefone é 10314.

Telefone da Ouvidoria da Brasiltelecom: 0800 6414020

Fonte: ADSL Residencial

Redundância?

9 de junho de 2008

Sem comentários

3 de junho de 2008

Infelizmente sou obrigado a repetir as mesmas palavras que ví no Desabafo

É neste país que vivo?
É a este povo que eu pertenço?

E acrescentaria que novos governantes são o reflexo daqueles que os elegem.

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=Z72b_xdxDD8]

Que vidão…

4 de maio de 2008

Recebí esta entrevista por e-mail; é claro que é falsa mas…

Qual o seu nome?

- Sévérino
- Qual sua profissão?
- Sou Sem-terra.
- Mas… Sem-terra é profissão?
- Há bem mais de um ano.
- É rentável?
- Não tenho o que reclamar: não se paga imposto, não há relógio-ponto e nem patrão pra chatear.
- E o que você faz no seu trabalho?
- Armo esta tenda de plástico preto, onde finjo que vivo nas terras dos outros.
- Dou entrevistas e sento no banquinho, com cara de agricultor frustrado, o dia todo.
- E a comida?
- Ganho seguro-comida.
- E a roupa?
- Ganho seguro-roupa.
- E remédios?
- Ganho seguro-médico.
- Tem família?
- Claro!
- E como a sustenta?
- Renda-mínima, bolsa-escola, auxílio-gás, vale-transporte, fome zero, seguro-gravidez, seguro-filho, seguro-pobreza, seguro-escola.
- Mas, o que você pretende?
- Meus direitos trabalhistas.
- Direitos trabalhistas? Como assim?
- FGTS, INSS, décimo terceiro, seguro-desemprego, férias remuneradas e carteira assinada.
- E depois?
- Ora, aposentadoria por invalidez! Sabe, sentar nesse banquinho, de pernas cruzadas, com cara de infelicidade, desgasta a espinhela. Tem gente aqui que, após 5 anos, de tanto ficar sentado, virou um bagaço.
- É uma profissão sacrificante?
- Sem dúvida alguma!
- Algum recado?
- Ah, sim. Às autoridades e às comissões de direitos humanos: queremos computador e um colchão de espuma na cama.
- Como?
- Queremos aparelho de som, DVD, forno microondas, ar condicionado e televisão.
- Algum outro recado?
- É. Aos otários, quero dizer, aos contribuintes: Continuem trabalhando, pagando seus impostos e nos sustentando com seus salários.

GESTÃO EMPRESARIAL- por Max Gehringer

4 de maio de 2008
Recebi por e-mail…

Foi tudo muito rápido.

A executiva bem-sucedida sentiu uma pontada no peito, vacilou, cambaleou. Deu um gemido e apagou.Quando voltou a abrir os olhos, viu-se diante de um imenso portal. Ainda meio zonza, atravessou-o e viu uma miríade de pessoas. Todas vestindo cândidos camisolões e caminhando despreocupadas. Sem entender bem o que estava acontecendo, a executiva bem-sucedida abordou um dos passantes :

- Enfermeiro, eu preciso voltar urgente para o meu escritório, porque tenho um meeting importantíssimo. Aliás, acho que fui trazida para cá por engano, porque meu convênio médico é classe A, e isto aqui está me parecendo mais um pronto-socorro. Onde é que nós estamos?

- No céu.

- No céu?…

- É. Tipo assim, o céu. Aquele com querubins voando e coisas do gênero.

- Certamente. Aqui todos vivemos em estado de gozo permanente.

Apesar das óbvias evidências (nenhuma poluição, todo mundo sorrindo, ninguém usando telefone celular), a executiva bem-sucedida custou um pouco a admitir que havia mesmo apitado na curva. Tentou então o plano B: convencer o interlocutor, por meio das infalíveis técnicas avançadas de negociação, de que aquela situação era inaceitável. Porque, ponderou, dali a uma semana ela iria receber o bônus anual, além de estar fortemente cotada para assumir a posição de presidente do conselho de administração da empresa.
E foi aí que o interlocutor sugeriu:

- Talvez seja melhor você conversar com Pedro, o sindico.

- É? E como é que eu marco uma audiência? Ele tem secretária?

- Não, não. Basta estalar os dedos e ele aparece.

- Assim? (…)

- Pois não?

A executiva bem-sucedida quase desaba da nuvem. À sua frente, imponente, segurando uma chave que mais parecia um martelo, estava o próprio Pedro. Mas, a executiva havia feito um curso intensivo de approach para situações inesperadas e reagiu rapidinho:

- Bom dia. Muito prazer. Belas sandálias. Eu sou uma executiva bem-sucedida e…

- Executiva… Que palavra estranha. De que século você veio?

- Do 21. O distinto vai me dizer que não conhece o termo “executiva”?

- Já ouvífalar. Mas não é do meu tempo.

Foi então que a executiva bem-sucedida teve um insight. A máxima autoridade ali no paraíso aparentava ser um zero à esquerda em modernas técnicas de gestão empresarial.Logo, com seu brilhante currículo tecnocrático, a executiva poderia rapidamente assumir uma posição hierárquica, por assim dizer, celestial ali na organização.

- Sabe, meu caro Pedro. Se você me permite, eu gostaria de lhe fazer uma proposta. Basta olhar para esse povo todo aí, só batendo papo e andando a toa, para perceber que aqui no Paraíso há enormes oportunidades para dar um upgrade na produtividade sistêmica.

- É mesmo?

- Pode acreditar, porque tenho PHD em reengenharia. Por exemplo, não vejo ninguém usando crachá. Como é que a gente sabe quem é quem aqui, e quem faz o quê?

- Ah, não sabemos.

- Headcount, então, não deve constar em nenhum versículo, correto?

- Hã?

- Entendeu o meu ponto? Sem controle, há dispersão. E dispersão gera desmotivação. Com o tempo isto aquívai acabar virando uma anarquia. Mas nós dois podemos consertar tudo isso rapidinho implementando um simples programa de targets individuais e avaliação de performance.

- Que interessante…

- Depois, mais no médio prazo, assim que os fundamentos estiverem sólidos e o pessoal começar a reclamar da pressão e a ficar estressado, a gente acalma a galera bolando um sistema de stockoption, com uma campanha motivacional impactante, tipo: “O melhor céu da América Latina”.

- Fantástico!

- É claro que, antes de tudo, precisaríamos de uma hierarquização de um organograma funcional, nada que dinâmicas de grupo e avaliações de perfis psicológicos não consigam resolver.

- Aí, contrataríamos uma consultoria especializada para nos ajudar a definir as estratégias operacionais e estabeleceríamos algumas metas factíveis de leverage, maximizando, dessa forma, o retorno do investimento do Grande Acionista… Ele existe,certo?

- Sobre todas as coisas.

- Ótimo. O passo seguinte seria partir para um downsizing progressivo, encontrar sinergias high-tech, redigir manuais de procedimento, definir o marketing mixe investir no desenvolvimento de produtos alternativos de alto valor agregado. O mercado telestérico por exemplo, me parece extremamente atrativo.

- Incrível!

- É óbvio que, para conseguir tudo isso, nós dois teremos que nomear um board de altíssimo nível. Com um pacote de remuneração atraente, é claro. Coisa assim de salário de seis dígitos e todos os fringebenefitse mordomias de praxe. Porque, agora falando de colega para colega, tenho certeza de que você vai concordar comigo, Pedro. O desafio que temos pela frente vai resultar em um turnaround radical.

- Impressionante!

- Isso significa que podemos partir para a implementação?

- Não. Significa que você terá um futuro brilhante …se for trabalhar com o nosso concorrente. Porque você acaba de descrever, exatamente, como funciona o Inferno…

Autor: Max Gehringer (Revista Exame)